Entrevista com a autora Lilian Farias

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Oi gente, tudo bem? Hoje tem entrevista! Vamos conhecer um pouco mais sobre a autora Lilian Farias?

1 - Como foi seu primeiro contato com a leitura? E o que fez você querer ser autora? 
Não tenho recordação de meu primeiro contato, acredito que no âmbito escolar. Talvez uma parcela significativa da população tenha um pouco de autor em sei, mas o que me levou a publicar meus livros, diria que é algo recente, nasceu em 2010, quando apresentei um texto meu na aula de Teoria Literária, como pré-requisito para nota final da disciplina. Aquele dia foi crucial para mim, ver a reação das pessoas enquanto lia meu texto em voz alta.

2 - Com quantos anos começou a escrever?
Acho que comecei a escrever quando nas primeiras séries do ensino fundamental, mas sempre rasgava o que escrevia.

3 - Tem algum escritor/escritora que te inspira?
Não sei se teria algum escritor que me inspire, mas tem alguns que aprecio enquanto leitora e escritora. Clarissa Pinkola EstesChimamandaElisa LispectorClarice LispectorNelson RodriguesRolando ToroTeresa CárdenasConceição EvaristoJorge AmadoSimone de BeauvoirVirginia WoolfFlorbela EspancaHilda HilstCassandra RiosMagali PolidaElisa LucindaEduardo Galeano, enfim, são muitos... esses foram os que lembrei.

4 - Qual o seu livro preferido?
Tenho livros preferidos, e pela gama de opções, não teria como citar um único, além do mais, fico imaginado os que ainda não li. Então, vou dizer alguns livros que aprecio bastante: Mulheres Que Correm com os Lobos, Sejamos Todos Feministas, O Século do Vento, Olhos D’água, Cachorro Velho, a Autobiografia de Poeta-Escravo, etc.

5 - Para você, qual a melhor coisa em escrever? Por quê? Quais as dificuldades que você enfrenta quando vai escrever?
A melhor coisa é me sentir livre. Acredito que já somos educados num sistema repressor e a escrita é uma forma de quebrar esse sistema. Às vezes, me falta um pouco de tempo para construir melhor a concepção ideológica que pretendo dar ao texto. Nos últimos meses, isso tem sido frequente.

6 - Quais as dificuldades de ser um escritor atualmente no Brasil?
O que eu percebo enquanto leitora, estudiosa, educadora e professora é um reflexo literário da própria sociedade. Por exemplo, quantos autores nacionais negros são divulgados por grandes editoras no Brasil? Quantas autoras índias são divulgadas por grandes editoras no Brasil? Qual o percentual de população negra e produção negra no Brasil?
Há uma pesquisa bem interessante pela Universidade de Brasília que revela perfil dos escritores e personagens da literatura brasileira contemporânea e é bastante interessante pensar sobre o que dizem nessa pesquisa, não diria que é revelador, pois basta olhar com criticidade para as grandes editoras e comprovar o que está ali. Deixo aqui um trecho:

“A pesquisa revelou que os autores, na maioria, são brancos (93,9%), homens (72,7%), moram no Rio de Janeiro e em São Paulo (47,3% e 21,2%, respectivamente).Esse perfil médio do escritor brasileiro não é exatamente uma surpresa. A pesquisa inova ao dar números para o fenômeno, mostrando a dimensão do abismo que separa a diversidade da sociedade brasileira e sua efetiva presença na literatura. É a confirmação de uma hipótese que já se intuía: o campo literário ainda é um território para poucos.”

7 - Como foi o processo de escrita dos seus livros? Encontrou muitas dificuldades? Você demorou quanto tempo para escrever cada um?
O processo de escrita de O Céu é Logo Ali foi em quinze dias, mas a pesquisa durou dois anos, bebo muito das referências do pensamento biocêntrico para a construção do texto. Não tive dificuldades em escrever, diria até que foi uma ‘salvação’, pois, na época, estava concluindo a faculdade e me encontrava em total estresse por causa do TCC, fiquei 15 dias e 15 noites sem dormir e assim escrevi.

Já o livro Mulheres Que Não Sabem Chorar, foram quatro anos entre pesquisa, entrevistas (pois as histórias são reais) e escrita.

Meu novo livro, já tem quatro anos que o escrevo. Pretendo terminá-lo este ano.

8 - Você teve momentos de falta de inspiração, em que “travou” durante a escrita?
Às vezes fico um pouco cansada, tudo o que preciso é esvaziar a mente para recomeçar. Digamos que estou neste momento.

9 - Poderia nos contar um pouco do seu livro, O Céu é Logo Ali?
O livro O Céu é Logo Ali  surge de conversas, diálogos e um momento de encontro com a filosofia biocêntrica. É um livro que trata de várias temáticas em personagens inexistentes, apenas um, o que não tem nome, que pode ser a representação do próprio leitor.

10 - Qual a sensação ao terminar um livro? E a de receber as críticas, positivas ou negativas?
A sensação é de parir, mas sou o tipo de mãe ave, daquelas que soltam os filhotes e deixa que eles aprendam a voar só. Quando finalizo a escrita, não leio mais o livro. As críticas são naturais, vem de todos os lados e de todas as formas, não vejo como uma Poliana, mas também não acho algo aterrorizante, acho normal.

11 - Tem algum trabalho futuro chegando? Se sim, poderia nos falar um pouco dele?
Sim, meu novo livro, ainda estou em fase de pesquisa e entrevista, mas já tem bastante coisa escrita, se baseia, como em Mulheres Que Não Sabem Chorar, em fatos reais, mas por enquanto, é o que posso dizer.

12 - E para fechar, manda uma mensagem para os seus leitores!
Deixo aqui o trecho de um livro que aprecio bastante:

"Fico perplexa com o fato de as mulheres hoje em dia chorarem tão pouco e, quando o fazem procuram justificativas. Fico preocupada quando a vergonha ou desabito começam a eliminar uma função natural. Ser uma árvore florida e estar cheia de seiva é essencial, senão você pode se quebrar. Chorar faz bem, e é certo. Chorar não cura o dilema, mas permite que o processo continue em vez de entrar em colapso." (Clarissa Pinkola Estes, trecho do livro Mulheres Que Correm Com Os Lobos)

Você pode conferir a minha resenha do livro O Céu é Logo Ali, da Lilian Farias.

E então, o que acharam da entrevista? Tem alguma pergunta para a Lilian? Deixa aí nos comentários! Beijos.

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