BEDA #29 ♡ Doze de abril de dois mil e quatorze

segunda-feira, agosto 29, 2016

Fonte: www.kaboompics.com
E ela olhou seu reflexo no espelho, o que viu? Olhos tristes e um coração machucado emoldurados em um belo sorriso. Respira fundo e segue em frente, ninguém disse que seria fácil...

No relógio 2 da manhã. E lá está ela sentada à janela, conversando com a Lua. Sua amiga Lua, companheira fiel de inúmeras noites em claro. Ela é um ser noturno, a noite a completa, a faz pensar. Encarar o que se passa dentro dela. 

Acende uma vela e faz uma prece. Calada observa a chama dançante. E sente em seu peito um calor crescente, vontade de dançar. Ela se levanta e dança, sem música mesmo, pois a música está em seu coração.

No relógio 6 da manhã. E lá vai ela, andando pelas ruas vazias ao amanhecer. Pega o ônibus. Dentro dele pessoas com olhares vazios, seguindo para uma rotina vazia. O que os impede de buscarem seus sonhos? 

Nos ouvidos Carla Bruni canta, e no coração uma certeza, a solidão não é tão ruim quanto se parece. Ela ensina. Ela cura. Ela mata. Ela enlouquece. Depende da hora do dia e de doses de Amarula. 

Olha pela janela, o céu está lindo! Um pássaro voa ao longe. Ela queria ter asas, voar bem alto no céu. Sentir o vento acariciar suas bochechas, os cabelos dançando loucamente. Em breve terá, pois planeja fazer uma tatuagem... mas será que terá coragem? 

Lá vai ela, em meio a pessoas apressadas em uma manhã de segunda-feira. Tantas pessoas e nenhum afeto. Uma senhora a pára e pede um trocado para o café. Ela tira os fones dos ouvidos, dá um sorriso e acompanha a senhora a uma lanchonete. Um café com pão de queijo para uma estranha. Moradora de rua. Olhares espantados a acompanham. A repreendem. A julgam. Em que mundo estamos? É tão mais fácil julgar do que estender uma mão. 

No relógio 9 da manhã. E lá está ela, falando sobre Aids. Olhares atentos. Não posso gaguejar, pensa ela. Falar em público nunca foi fácil, ela sempre gagueja. Mas outras pessoas dependem dela, vale ponto pra todos do grupo. Respira fundo e vai lá, você consegue. 

No relógio meio dia. E lá está ela, presa em um congestionamento. Rotina diária. Você escolhe se estressar e xingar em vão, ou coloca os fones e se perde em pensamentos? A companheira da vez é Alanis Morrissette. Ela pensa na mãe, impossível não pensar. Alanis a lembra da infância, ouvindo a mãe cozinhar cantando. Ela sorri. Um homem a olha, achando que o sorriso foi para ele e sorri de volta, com malícia. Imediatamente ela se vira para a janela, alguns homens são tão inconvenientes. 

Ela chega em casa e os cachorros a impedem de entrar, querem carinho apenas. Ela então brinca com eles. Cães são tão carinhosos e pedem tão pouco em troca. 

Lá dentro, o irmão a espera com o dever de casa. Ela explica e corrige. Tira os sapatos. Ela ama estar com os pés no chão. Troca de roupa e vai preparar o almoço. 

No relógio 4 da tarde. Sua vez de fazer o dever. Tem um questionário para responder e enviar as respostas para sua monitora. Tem que estudar para duas provas importantes e uma apresentação. Ela está cansada, mas continua. Ninguém disse que seria fácil, ela se lembra novamente. 

No relógio 7 da noite. Lá está ela com os pais e o irmão em uma pizzaria. Ela toma suco de maçã. No celular o whatsapp chama. Seu irmão pergunta sobre Titãs e gigantes. A pizza chega. Seu sabor preferido, frango com catupiry. Agora o suco é de morango, mas ela pensa "queria suco de goiaba". 

No relógio 10 da noite, e lá está ela. Notebook ligado tocando Pitty. Ela ainda está acordada. Agora a companhia é boa, nada como ler um bom livro no silêncio da madrugada. 

Finalmente ela se deita. Nem sabe quantas horas são. Precisa dormir um pouco, amanhã terá outra apresentação e uma prova. Mas alguém aí sabe como desligar os pensamentos? Me ensina por favor?

Ana Carolina Rocha Carias 


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